Bagé teve um navio batizado com seu nome que esteve presente na segunda guerra mundial. O vapor, Bagé, foi um navio brasileiro, utilizado no transporte de carga e de passageiros. Pertencente ao Lloyd Brasileiro, foi o navio brasileiro de maior tonelagem a ser atacado pelos submarinos do Eixo, e o trigésimo-segundo a ser afundado durante a Segunda Guerra Mundial, onde morreram 28 pessoas, dentre as quais, o seu comandante, Capitão-de-Longo-Curso Arthur Monteiro Guimarães.
Quando foi afundado, o Bagé já navegava há trinta anos, uma vez que fora construído em 1912, no estaleiro Stettiner Maschinenbau AG Vulcan, em Stettin (Alemanha), atualmente Szczecin, Polônia. Foi originalmente batizado de Sierra Nevada, sendo de propriedade da Norddeutscher Lloyd, de Bremen e fez, em 1913, sua viagem inaugural entre aquela cidade e Buenos Aires, com escalas em Lisboa, Rio de Janeiro e Montevideo.
Era um navio misto, ou seja, de carga e com acomodações para passageiros, com arqueação bruta de 8.235 toneladas, 133,9 metros de comprimento, 17,1 metros de largura e 10,7 metros de calado. Equipado com um motor a vapor de tripla expansão acoplado a duas hélices, possuía uma potência nominal de 600 HP, capaz de desenvolver uma velocidade de 13 nós.
Foi rebatizado de Bagé, em homenagem Rainha da Fronteira, e registrado no Porto do Rio de Janeiro. Passa a ser operado diretamente pelo Estado e, em 1922, é cedido ao Lloyd Brasileiro, o qual lhe adquire a plena propriedade em 1926. A última viagem feita pelo Bagé à Europa (Lisboa, exatamente), teve como objetivo conduzir os diplomatas do Eixo que haviam deixado o país para serem trocados pelos congêneres brasileiros.
Pouco depois das nove e meia da noite (2:36, do dia 1º de agosto, pelo Horário da Europa Central), o navio virou para estibordo e, cerca de 30 milhas náuticas ao sul de Aracaju, navegando solitário em seu novo curso, foi torpedeado a meia-nau por bombordo, pelo U-185, comandado pelo Capitão-tenente August Maus. Em seguida, o navio foi atingido no seu passadiço por uma granada incendiária aumentando ainda mais o pânico dos tripulantes e passageiros, muitos dos quais já dormiam em seus camarotes. Imediatamente, o navio adernou e a água começou a inundar os compartimentos. Não durou mais do que quatro minutos para que o navio começasse a mergulhar sob as ondas. Morreram 28 pessoas, dentre as quais, o seu comandante, Capitão-de-Longo-Curso Arthur Monteiro Guimarães.
ABAIXO SEGUE A MATÉRIA DO JORNAL FOLHA DA MANHÃ DE 08 DE AGOSTO DE 1943 (Neste texto foi mantida a grafia original)
RIO, 7 - URGENTE - A agência Nacional acaba de distribuir a seguinte nota: "O "Bagé", navio misto do Lóide Brasileiro foi torpedeado às 21 horas do dia 31 de julho último quando navegava a 40 milhas da costa ao sul de Aracajú com destino ao Rio. O "Bagé", ex-"Sierra Nevada", alemão que fôra incorporado ao Lóide em 1917, media 133 metros e 85 centimetros de comprimento 17,7 metros de boca e 10,69 de pontal. Sua tonelagem bruta era de 8235 toneladas sendo a liquida de 4.969. A construção desse navio que era movido a carvão data de 1912. Antes da guerra fazia tráfego entre Santos a Hamburgo. Com a supressão dessa linha passou a fazer a da costa. A última viagem feita pelo "Bagé" à Europa, Lisboa, teve como objetivo conduzir os diplomatas do "eixo" que deixavam o país para serem trocados pelos brasileiros. Ao ser atacado transportava o "Bagé" grande carregamento de borracha, couros, fibras, castanha, algodão etc... Deixou esse navio o Rio no dia onze de abril. A linha que fazia ao desaparecer tinha por extremos Belem e Santos passando em Fortaleza, Recife, Baía e Rio de Janeiro.
O navio do Lóide Brasileiro "Bagé", cujo torpedeamento por um submarino nazista se divulgou hoje, foi atacado e atingido por um único torpedo à altura de Rio Real, distante trinta milhas da costa sergipana às 21 horas presumivelmente. Segundo as declarações telegráficas a tribulação se compunha de 108 homens e levava 30 passageiros. O comandante Arthur Guimarães continua desaparecido presumindo-se tenha ficado preso dentro da cabine do rádio-telegrafista quando alí foi determinar irradiação de um supremo SOS.
É a seguinte a lista de passageiros do Bagé recolhidos segundo a informação do Loide Brasileiro: Tenente Arthur Paulo dos Santos, Amalia Santos, um menor de quatro anos, Anilde Santos, Maria Celeste Fernandes, Arthur Martins, Sebastião Costa Lyra, Ermelindo Passos Vianna, Arnaldo Lima e Silva, Antonio Ferreira Silva, Julio Fernandes Gomes Filho, Geraldo Seabra Mello, Januário Silva, João Joaquim Sant'Anna, Thomaz Aquino Santos. De acordo com o que informam os telegramas de Agência Nacional conseguiram se salvar mais os seguintes tripulantes: Francisco Ferreira Porto, Francisco Pereira dos Santos, cabo foguista; João Pedro de Lima, cabo foguista; Carlos José de Carvalho, carvoeiro; Cecilio Soares de Mendonça, carvoeiro; José Antonio da Silva, carvoeiro; Fortunato da Silva, carvoeiro.
Comentários: