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Sabado, 23 de Maio de 2026
Bagé 24H relembra: O maior incêndio da história de Bagé

Bagé
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Bagé 24H relembra: O maior incêndio da história de Bagé

Neste dia 19 de março o incêndio do Cine Avenida completa 29 anos

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Em 19 de março de 1997, uma tarde comum em Bagé foi abruptamente interrompida por um dos episódios mais marcantes da história recente do município. Por volta das 16h40min, um incêndio de grandes proporções atingiu o Edifício Avenida, localizado na Avenida Sete de Setembro, prédio que abrigava o tradicional Cine Avenida — um dos principais símbolos de lazer e cultura da cidade durante décadas.

As chamas teriam começado, possivelmente, a partir de um curto-circuito na rede elétrica do cinema, embora à época não tenha havido confirmação oficial definitiva sobre a causa. O fogo se alastrou rapidamente, atingindo com maior intensidade a partir da sexta laje e provocando danos mais severos no 10º pavimento do edifício.

A gravidade da situação mobilizou uma verdadeira força-tarefa. Além do Corpo de Bombeiros de Bagé, equipes de Dom Pedrito foram acionadas para reforço. Também prestaram apoio o Exército, a Polícia Civil, a Infraero, a Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE) e a própria comunidade, que se somou aos esforços no combate às chamas e no auxílio às vítimas.

A dramaticidade do momento foi registrada em tempo real pela Rádio Difusora de Bagé, que transmitia diretamente do local com os jornalistas Mariano Augusto, João Vicente Gallo e também o saudoso Sivaldo Souza. A narração evidenciava a dificuldade no combate ao fogo e a mobilização coletiva:

“(Mariano Augusto) Tá faltando pressão nas mangueiras, e é por isso que há dificuldades de retirar as chamas, que ainda são muito grandes, no sétimo e oitavo andares do prédio. As lojas aqui do lado, as fornecedoras, as lojas do lado, todas tomando a providência de retirarem todo o material explosivo, o botijões de gás, todos sendo colocados na rua, e os demais prédios que têm extintores de incêndio estão disponibilizando os equipamentos, para que o pessoal da brigada, o pessoal da Polícia Rodoviária Estadual, o pessoal da Infraero que já está por aqui, o pessoal também do HGU que já está com a sua ambulância aqui, todo mundo pegando junto, o pessoal do Exército. (Sivaldo Souza) Estamos tendo chamas no oitavo andar, as chamas agora aparecem mais porque bateu o vento, acendeu a chama no oitavo andar. Agora nós temos uma fumaça muito preta, o vento está batendo, ele bate de leste para oeste. (João Vicente Gallo) A gente observou aqui pelo lado dos fundos, nós estamos justamente pelo lado dos fundos do edifício, e se eu observo aqui, é justamente que a única maneira é do sentido do terraço para baixo, com cordas, mas aí é um trabalho isolado, um serviço praticamente heróico, de integrantes do Corpo de Bombeiros. Agora já chama, agora já não é só fumaça, é muita chama. É verdade, eu tenho a visão completa aqui.”

Apesar da dimensão do incêndio e da destruição causada na estrutura dos apartamentos, não houve registro de mortes, o que foi considerado um desfecho positivo diante do cenário. Ainda assim, os prejuízos materiais foram significativos, deixando diversos moradores desalojados. Entre eles estava o proprietário do cinema, Aristides Kucera, que precisou ser acolhido no Hotel Obino.

A reconstrução do edifício teve início cerca de quatro meses após o sinistro, em julho de 1997. As obras se estenderam até março de 1998, com um custo aproximado de R$ 868 mil. Ao todo, foram recuperados 29 apartamentos, além da cobertura, das lojas comerciais e de toda a infraestrutura elétrica e hidráulica do prédio.

O episódio também deixou um importante legado para a cidade, servindo como alerta para a necessidade de manutenção preventiva, reformas e vistorias em edificações antigas, especialmente aquelas com grande circulação de pessoas.

Mais do que os danos físicos, o incêndio do Edifício Avenida marcou profundamente a memória afetiva dos bageenses. Antes da tragédia, o Cine Avenida era ponto de encontro de gerações, palco de histórias, encontros e momentos de lazer que permanecem vivos na lembrança de quem frequentou o espaço. Décadas depois, o episódio segue sendo lembrado não apenas pela destruição, mas também pela mobilização, pela reconstrução e pela importância cultural que o local representava para a comunidade.

Fotos: Reprodução Arquivo Público Municipal - Jornais Minuano e Correio do Sul 

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