Um levantamento do Centro Estadual de Vigilância em Saúde (CEVS) do Rio Grande do Sul revelou que Bagé enfrenta um grave problema de subnotificação de casos relacionados a comportamentos suicidas. Em 2024, apenas 165 notificações de lesão autoprovocada (automutilação e tentativas de suicídio) foram registradas no sistema de saúde do município, quando a estimativa baseada em óbitos por suicídio apontava para aproximadamente 560 casos esperados - um percentual de notificação de apenas 29,46%.
Os números fazem parte do Boletim Epidemiológico de Lesão Autoprovocada e Suicídio, publicado em setembro de 2025 pela Secretaria de Saúde do Estado, que analisa dados de todo o estado entre 2015 e 2024. Bagé, que integra a 7ª Coordenadoria Regional de Saúde, apresentou uma taxa de 95,86 notificações por 100 mil habitantes, ficando abaixo da média estadual de 109,02.
Mortalidade preocupa
No que se refere aos óbitos por suicídio, Bagé registrou 28 casos em 2024, o que corresponde a uma taxa de 16,27 mortes por 100 mil habitantes. O índice é quase o dobro da média nacional (8,6) e segue a tendência do Rio Grande do Sul, que historicamente apresenta as maiores taxas do país.
A subnotificação identificada em Bagé reflete um desafio estadual. Conforme o boletim, para cada morte por suicídio, estima-se que haja 20 tentativas anteriores. A baixa notificação dificulta a implementação de políticas públicas efetivas de prevenção, já que o sistema de saúde não consegue dimensionar corretamente a magnitude do problema.
Falta de registro impede prevenção
O relatório estadual alerta que a identificação precoce de pessoas em situação de risco, principalmente na Atenção Primária, é fundamental para interromper a progressão dos casos. No entanto, mais da metade das notificações estaduais (54,47%) ocorrem apenas quando os casos já estão graves, em serviços de urgência e emergência.
Em Bagé, assim como em outras regiões gaúchas, é necessário fortalecer a notificação compulsória, estabelecida por portaria ministerial desde 2014, e combater o estigma relacionado aos problemas de saúde mental. A subnotificação mascara a real dimensão do sofrimento psíquico na comunidade e dificulta o direcionamento adequado de recursos e estratégias de cuidado.
O boletim completo pode ser acessado pelo link https://www.estado.rs.gov.br/upload/arquivos/202509/boletim-lesao-autoprovocada-e-suicidio-2.pdf
O Centro Estadual de Vigilância em Saúde segue monitorando os indicadores e alerta para a necessidade de abordagem contínua do tema, não restrita apenas ao Setembro Amarelo, mês de prevenção ao suicídio.
Imagem: Reprodução
Comentários: