As 72 usinas termelétricas fósseis conectadas ao Sistema Interligado Nacional (SIN) emitiram 19,5 milhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente (CO2e) em 2022. É o que consta no 3º Inventário de emissões atmosféricas em usinas termelétricas lançado nesta quinta-feira (19), pelo Instituto de Energia e Meio Ambiente (IEMA). As quatro usinas que mais emitiram gases de efeito estufa (GEE) em 2022 foram movidas a carvão mineral e estão localizadas no Sul do país. O destaque vai para Candiota III que, apesar de ter sido a quinta maior geradora em 2022, foi a maior emissora, responsável por 12% das emissões de todo o parque termelétrico estudado.
Conforme o relatório, em 2022 toda a geração termelétrica fóssil brasileira voltou a representar os mesmos 10% da geração de eletricidade na matriz elétrica de 20 anos atrás. Essa redução é reflexo de um período de condições climáticas favoráveis à geração hidrelétrica após a crise hídrica, além do crescimento de outras fontes renováveis (eólica e solar). Independente desses dados aparentemente favoráveis, a tendência é de aumento de emissões por usinas fósseis no médio prazo.
SUL NA LIDERANÇA
O subsistema Sul foi o maior emissor de GEE de 2022, com 40% do total de emissões (7,9 milhões de tCO2e). Isso ocorreu, principalmente, devido à geração termelétrica nos municípios de Capivari de Baixo (20%), em Santa Catarina, e Candiota (19%), no Rio Grande do Sul, sedes de usinas a carvão mineral. Mesmo tendo o menor número de termelétricas, o Sul ultrapassou o subsistema Sudeste/ Centro-Oeste em emissões. Este foi responsável pela emissão de 5,2 milhões de toneladas de GEE (26% do total).
As emissões de Capivari de Baixo (SC), Candiota (RS), Manaus (AM), Santo Antônio dos Lopes (MA) e Duque de Caxias (RJ) representam quase 70% do total inventariado. No Amazonas, Manaus tem as usinas que operam com mais capacidade devido a suas características contratuais. Mesmo com a queda relatada de geração de energia elétrica fóssil, as termelétricas do município funcionaram a 57% de sua capacidade máxima, enquanto, na média, as usinas do SIN operaram a 15% de sua capacidade.
PETROBRAS
Já a Petrobras, uma das maiores geradoras de energia elétrica fóssil no Brasil, apresenta uma taxa de emissão menor que a média das empresas inventariadas. Isso se deve, principalmente, à eficiência das tecnologias empregadas em suas termelétricas. Usinas mais eficientes queimam menos combustível e, consequentemente, emitem menos gases de efeito estufa por gigawatt-hora (GWh) produzido. “Além da tecnologia de conversão energética (ciclo de potência), a eficiência de uma usina também é afetada pelas condições de manutenção e pela sua idade”, explica André Luis Ferreira, diretor-executivo do IEMA.
A Engie, por outro lado, foi a empresa que liderou as emissões de GEE por eletricidade gerada com 1.156 tCO2e/GWh — quase o dobro da média observada (637 tCO2e/GWh). Em 2022, ela era acionista da Pampa Sul, usina que se destaca negativamente por sua alta intensidade de emissão. Entretanto, em junho de 2023, a Engie concluiu a venda dessa planta para um fundo de investimentos gerido pelas companhias Starboard e Perfin.
O “3º Inventário de emissões atmosféricas em usinas termelétricas” também buscou apresentar as emissões de gases poluentes como óxidos de nitrogênio das plantas analisadas – vale lembrar que eles diferem dos gases de efeito estufa. As dez termelétricas com maiores emissões de óxidos de nitrogênio, que forneceram informações à base de dados do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), estão respectivamente localizadas nos municípios de: Capivari de Baixo (SC), Duque de Caxias (RJ), Canoas (RS), Cubatão (SP), São Francisco do Conde (BA), Linhares (ES), Alto dos Rodrigues (RN) e Candiota (RS).
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