O coordenador da Defesa Civil de Bagé, Éverton Kaupe, informou, nesta quarta-feira (27), que o pedido de suplementação de telhas para atender a população de Bagé foi negado pelo governo federal, após mais de 30 dias de tramitação.
Vale destacar que, ao visitar a cidade após o maior temporal de granizo da história de Bagé, os representantes do governo federal informaram que, se necessário fosse, garantiriam a suplementação de recursos, o que não se confirmou.
São necessárias cerca de 160 mil telhas para atender as mais de 17 mil famílias atingidas. Para que as pessoas aguardassem o mínimo possível, o governo municipal adquiriu com recursos próprios e capitaneou por meio de doações mais de 65 mil unidades.
Após visitar a cidade para verificar in loco os estragos, o governo federal, por meio da Defesa Civil Nacional, liberou recursos suficientes para a compra de 45 mil telhas, apenas. “No mesmo momento já informamos que seria insuficiente para a demanda e tivemos a resposta que fariam a suplementação se necessário. Agora, depois de um mês de espera, recebemos esta resposta, sem muitas explicações visto que enviamos toda a documentação necessária”, detalha Kaupe.
A reportagem do Bagé 24h entrou em contato com lideranças do Partido dos Trabalhadores em Bagé e as mesmas buscaram informações com o Secretário de Gestão e Normas do Governo Federal Paulinho Parera, que se manifestou a respeito do assunto.
" Na última quarta-feira (27), a Defesa Civil Nacional comunicou à Prefeitura de Bagé que o pedido de suplementação de telhas foi negado. No informe, consta que o município não informou claramente o que foi feito com os 123 mil m², que representaria cerca de 50 mil telhas. Além disso, o relatório fotográfico do pedido de suplementação se mostrou insuficiente até para ser considerado como amostra, dado o alto volume de telhas entregues pelo governo federal às famílias necessitadas.
Ainda segundo o informe, através de notícias de veículos locais, dão conta de que o município adquiriu telhas com recursos próprios, recebeu doações e emendas parlamentares de diversos políticos, podendo alcançar a marca de 100 mil telhas. A Defesa Civil Nacional informou que o município poderá fazer um novo pedido de suplementação, mas terá de fazer adequadamente a comprovação da entrega das telhas.
“Infelizmente, falta organização e transparência da prefeitura de Bagé. As normas da Defesa Civil preveem o pedido de suplementação, mas para isso é necessário que a Prefeitura informe quantas telhas foram recebidas no total, de quais fontes, quantas foram distribuídas e quantas e quais famílias foram atendidas.”, afirmou o Secretário de Gestão e Normas da Secom, Paulinho Parera. “A prioridade da Defesa Civil são as pessoas em maior vulnerabilidade, o que sabemos hoje é que temos idosos, pessoas com deficiência e na extrema pobreza, que se inscreveram no cadastro da Prefeitura desde o primeiro dia, que até hoje não foram atendidas. Isso precisa ser explicado. Estamos tratando de dinheiro público, se não houver comprovação por parte do município, é lógico que o pedido será negado”.
Segundo Paulinho Parera, há um padrão no comportamento da gestão de Bagé. “A Defesa Civil não tem partido, é um órgão técnico, com profissionais concursados. Esse tipo de erro é uma tônica da Prefeitura de Bagé. Está acontecendo agora, aconteceu no primeiro pedido de telhas, aconteceu no processo da liberação do serviço de Radioterapia e aconteceu no pedido de cestas básicas da estiagem. Não posso dizer que é proposital, mas parece, com a intenção de culpar o governo federal”, concluiu. ''
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