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Sabado, 29 de Agosto de 2026
Da boemia à Baixada: os endereços históricos da zona do meretrício em Bagé

Bagé
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Da boemia à Baixada: os endereços históricos da zona do meretrício em Bagé

A Bagé que não dormia e as memórias da vida noturna bageense

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Ao longo do século XX, Bagé conviveu com uma área urbana conhecida popularmente como a zona do meretrício, espaço que marcou a vida social, cultural e até urbana da cidade. As chamadas “casas de tolerância” estiveram presentes principalmente na região Oeste, em locais muito próximos ao centro, refletindo um período em que esse tipo de atividade coexistia de forma relativamente integrada ao cotidiano urbano.

Até o início da década de 1960, diversas casas funcionavam em ruas centrais e de grande circulação. Na Rua Juvêncio Lemos, em frente ao prédio da então Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE), operava o Cabaré da Tia Neca. Na mesma quadra, havia ainda o Cabaré da Maria Clara. Já após a travessia da ponte sobre o Arroio Gontan, encontrava-se o Cabaré do Caju, outro ponto bastante frequentado à época.

Na Rua Monsenhor Costabile Hipólito, onde hoje está instalada a Associação dos Aposentados, funcionou o Cabaré da Brandina. Em frente, ficou conhecida a boate “Mil e Uma Noites”, que ganhou fama negativa devido a constantes episódios de violência. Conforme o historiador Cid Magdar Marinho ''neste local muita gente saiu ferida à faca ou à bala. Certa vez, aconteceu um caso pouco comum, um conhecido cidadão foi reclamar a companhia de uma Dama, que dançava com outro, eles acabaram se desentendendo, e resolveram apelar para um duelo. O pretendente, foi alvejado nas "partes íntimas", não morreu, mas perdeu a sua virilidade para sempre.''

Ainda nessa mesma rua, na esquina com a Rua 18 de Maio, um casarão abrigou a chamada “Pensão dos Estancieiros”, considerada o bordel mais caro e requintado de Bagé naquele período, frequentado por integrantes da elite local e visitantes com maior poder aquisitivo.

A Rua Salgado Filho também concentrou diversas boates e cabarés, atendendo a públicos variados. Próximo à Praça das Carretas funcionava o cabaré mais sofisticado da região, administrado por Maria Butiá. Em contraste, o Cabaré do Camilo era conhecido por sua simplicidade e por personagens que ficaram marcados na memória popular. Mais adiante, a boate comandada por “Pai Faca” se destacava pela pista de dança e pela grande movimentação nos finais de semana, quando o número de frequentadores masculinos superava amplamente o de mulheres.

No início da década de 1970, uma ação conjunta da Prefeitura de Bagé e da Polícia Civil determinou a transferência dessas casas para o final da Rua Salgado Filho. A nova área passou a ser conhecida como “Baixada”, em referência ao declive onde a maioria dos estabelecimentos se instalou, marcando uma mudança significativa na organização urbana e na tentativa de afastar esse tipo de atividade das regiões centrais.

Curiosamente, o mesmo território que ficou associado à zona do meretrício também foi moradia de profissionais bastante conhecidos na cidade, como os costureiros Nazinho e Dalila, muito procurados pelo público feminino da época. Esse contraste evidencia como a região reunia diferentes histórias, personagens e vivências, compondo um retrato complexo de uma Bagé que se transformava com o passar das décadas.

Hoje, a antiga zona do meretrício integra a memória histórica da cidade, sendo lembrada como parte de um contexto social específico, que ajuda a compreender as mudanças nos costumes, na legislação e na própria configuração urbana de Bagé ao longo do tempo.

Fonte: Cid Magdar Marinho / Foto: Reprodução ilustrativa

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