O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu em live, nesta terça-feira, o fechamento de todos os clubes de tiro esportivo do país. O chefe do Executivo ainda criticou os empresários donos dos estabelecimentos e disse que a flexibilização do acesso às armas, feita no governo de Jair Bolsonaro (PL), “agradou o crime organizado”.
Na sexta, Lula assinou o novo decreto de armas, que prevê a redução no número de armamentos a que terão direito colecionadores, atiradores desportivos e caçadores (CACs), além de determinar que clubes de tiro não poderão funcionar 24 horas por dia.
“Eu já disse para o Flávio Dino que temos que fechar quase todos [os clubes de tiro]. Só deixar aberto os que são da Polícia Militar, Polícia Civil e Exército. Organização policial é que tem que ter lugar para treinar tiro, não a sociedade”, disse Lula.
O presidente afirmou, ainda, que o brasileiro médio não quer comprar arma e que o crime organizado se beneficiou com a flexibilização do acesso a armas e munições no governo anterior. As declarações ocorreram no programa semanal Conversa com o Presidente, com transmissão pelas redes sociais na manhã desta terça.
Em contato com o Presidente do Clube de Tiro e Caça de Bagé, Juliano do Couto, ele disse a reportagem que a fala do presidente da república é inconstitucional e prejudicaria uma série de setores que se sustentam da prática do tiro. ''Várias famílias vivem dessa prática, não só os atiradores. Lojas de acessórios, de roupas, rondas, até o responsável por fazer as medalhas dos campeonatos estaria prejudicado. Isso é nada mais que revanchismo contra o governo passado.'' Pontuou Juliano.
Ao longo da gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro, houveram decretos que permitiram a atiradores, por exemplo, adquirir até 60 armas, 30 delas de uso restrito (como fuzis e metralhadoras) e 30 de uso não restrito (como pistolas e revólveres). Além disso, caçadores ficaram autorizados a registrar até 30 armas, 15 de uso restrito e 15 de uso não restrito.
Com o novo decreto, a quantidade de armas acessíveis a civis caiu de quatro, de uso permitido, para duas, com comprovação efetiva da necessidade. Além disso, a quantidade de munição também cai, de 200 por arma para 50 por arma, anualmente.

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