Em três meses de 2023, o Corpo de Bombeiros do Rio Grande do Sul atendeu 20 casos de incêndios ocorridos em silos de armazenamento de grãos. Ao longo do ano passado, informa o Corpo de Bombeiros, foram 140 ocorrências deste tipo, 55% a mais do que em 2022. O aumento dos incêndios vêm sendo observados desde 2020, quando foram registrados 76 casos. Em Bagé na madrugada desta quinta-feira (23) um caso também foi registrado pelo CBM em um silo na Avenida Santa Tecla por volta da 01:30 da manhã.
O Comandante-Geral do Corpo de Bombeiros Militar (CBMRS), Coronel Estêvam Camargo Rodrigues, afirma que a preocupação e vigilância sobre este tipo de instalação não é nova. Rodrigues explica que os silos e áreas de armazenamento se enquadram nas chamadas “Áreas classificadas”, em que o risco de ignição é elevado. Esse enquadramento exige das empresas o cumprimento de rígidas normas quanto à operação, assim como um detalhado Plano de Prevenção de Incêndio (PPCI) e de planejamento de manobras para rápida extinção das chamas antes que se alastrem e ponham mais partes da estruturas em risco. Segundo o coronel, a lei que rege este tipo de instalação (Resolução Técnica CBMRS N.º 22 Silos e Armazéns), é de 2017, e uma das mais modernas do país, sendo equivalente a diversas regulamentações internacionais.
O arquiteto e especialista em atmosferas explosivas e segurança contra Incêndio, Celestino Rossi, afirma que há uma distância entre a lei e a sua efetiva aplicação. Rossi lembra que o armazenamento dos grãos é um dos maiores gargalos da cadeia do agronegócio nacional, já que o setor está em um momento acelerado crescimento, fazendo com que as unidades do Estado estejam quase sempre cheias, o que pode causar uma diminuição da criteriosidade das manutenções. A grande questão, afirma ele, é que boa parte dessas unidades foi construída há dezenas de anos, assim, mesmo que as normas de segurança sejam adequadas, elas são mais recentes que grande parte das construções presentes no Estado que “foram construídas sob a ótica de outra legislação”, diz.
Além disso, a adaptação dessas unidades antigas às normas é complicada e cara, além de implicar na paralisação do uso do silo durante as obras de conversão. “Primeiro, a gente quase não tem um tempo de parada para fazer isso. Segundo, porque os processos de manutenção nem sempre são os melhores possíveis na sua implantação. Isso envolve custos muito elevados e envolve paradas dessas unidades”, complementa.
O especialista, entretanto, classifica a fiscalização dos órgãos públicos como satisfatória, sendo a segurança dos silos uma responsabilidade dos proprietários. “O corpo de bombeiros aprova um projeto, mas ele não vistoria todos os sistemas que devem ser implantados. A responsabilidade é do proprietário da unidade ou do responsável pela unidade e do responsável técnico, seja engenheiro ou arquiteto que está executando esse projeto", ressalta.
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