Este domingo, 17/08, marca um dia curioso na história de Bagé. No dia 17 de agosto de 2001 (uma sexta-feira), Bagé foi cenário de um episódio que entrou para a história da aviação mundial. Neste dia, o milionário e aventureiro norte-americano Steve Fossett, em sua 5ª tentativa de dar a volta ao mundo sozinho em um balão, precisou interromper a jornada e pousou em uma fazenda localizada entre Bagé e Aceguá.
A aterrissagem foi dramática: o balão atingiu uma barreira de árvores, perdeu parte do gás e acabou sendo arrastado pelo vento por alguns metros até parar em segurança. Apesar do susto, Fossett saiu ileso e foi recebido por moradores da região, que presenciaram o fim inesperado da ousada aventura.
O pouso em solo bageense ocorreu após 12 dias e 13 horas de voo contínuo, em que Fossett percorreu aproximadamente 19.700 quilômetros. A façanha, embora não tenha concluído a volta ao mundo, estabeleceu um novo recorde mundial de duração em voo solo de balão, superando a marca anterior de pouco mais de 10 dias. Na chegada do resgate o primeiro obstáculo, a língua. Relatos dizem que foi necessário chamar uma professora de uma escola de Bagé para ser a tradutora entre autoridades e o balonista. Alguns outros relatos também de que, peões da estância onde o balão caiu, também ajudaram a resgatar o aventureiro.
Durante o trajeto, o aventureiro enfrentou situações extremas: quase precisou abandonar o balão ao cruzar os Andes, quando vestiu o paraquedas em meio a ventos violentos; reduziu a velocidade ao atravessar o Oceano Pacífico, o que atrasou o cronograma inicial de 15 dias; e, já na região do Cone Sul, se deparou com tempestades severas que tornaram inviável prosseguir rumo ao Atlântico.
Ao explicar a decisão de encerrar a viagem em Bagé, Fossett foi direto: “Pensei que minha vida estava em risco o dia todo. Era impossível seguir adiante diante das tempestades”. Após o pouso, exausto, ele admitiu que aquele havia sido o “maior desapontamento de sua vida”, embora tenha reconhecido a importância da conquista parcial.
Hoje, 24 anos depois, Bagé ainda guarda na memória o dia em que recebeu um dos maiores aventureiros do século XXI, transformando a cidade em palco de um capítulo marcante da história da exploração aérea mundial.
Foto: Francisco Bosco

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