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Sexta-feira, 28 de Agosto de 2026
O incêndio que encerrou a história do Cine Theatro Petrópolis em Bagé

Bagé
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O incêndio que encerrou a história do Cine Theatro Petrópolis em Bagé

Á época duas pessoas morreram no incêndio

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Pra quem lembra do incêndio do Cine Avenida, na avenida Sete de Setembro, em março de 1997, outro grande incêndio terminou com um dos mais queridos cinemas de Bagé. O Cine Theatro Petrópolis.

Um dos episódios mais trágicos da história urbana de Bagé ocorreu na década de 1930, mais precisamente no dia 10 de dezembro de 1937, quando um violento incêndio destruiu completamente o Cine Theatro Petrópolis, localizado no então populoso arrabalde da Villa Petrópolis, hoje atualmente conhecido como bairro Getúlio Vargas (nos dias atuais o prédio do extinto Cine Petrópolis abriga a Padaria Globo, em frente a Praça Santos Dumont). O sinistro marcou não apenas a perda de um importante espaço cultural da cidade, mas também ficou registrado pela morte de duas moradoras que residiam no prédio.

O incêndio teve início por volta da 1h45 da madrugada, sendo percebido pouco depois pelos moradores da região, que despertaram com o clarão das chamas e o alarme improvisado, feito por meio de disparos para chamar a atenção da vizinhança. Em poucos minutos, grande número de populares se reuniu no local, enquanto as autoridades eram avisadas. Compareceram rapidamente o subprefeito do 1º distrito, major Bento Gonçalves da Silva, e a Secção de Bombeiros.

Segundo o jornal Correio do Sul, o fogo começou em uma pequena cozinha existente junto à parede lateral direita do teatro. As chamas se espalharam com extrema rapidez por uma escada de madeira que ligava ao restante do edifício, favorecendo a propagação do incêndio. Em curto espaço de tempo, toda a estrutura de madeira foi consumida pelo fogo, restando de pé apenas as paredes frontais de material e a cabine do projetor.

Na parte superior do Cine Theatro Petrópolis residia Amancio Lucas, carpinteiro e zelador do local, com sua família. No momento do incêndio, ele estava ausente, a trabalho, assim como o filho do casal. Permaneciam no imóvel apenas sua esposa, Conceição Lucas, e a filha de criação, Gladys, de apenas sete anos. Ambas não conseguiram escapar da violência das chamas e morreram no local. Os corpos foram retirados dos escombros completamente carbonizados, provocando comoção e profundo impacto entre os presentes.

Os prejuízos materiais foram considerados totais e estimados, à época, em cerca de setenta contos de réis. O Cine Theatro Petrópolis, de propriedade da empresa Charles Sturgis, havia sido inaugurado em 1º de janeiro de 1930 e possuía capacidade para aproximadamente 600 pessoas. A construção combinava alvenaria na fachada e madeira no restante da estrutura. A cabine de projeção, construída em cimento e tijolo refratário, resistiu ao incêndio, assim como o projetor, embora o equipamento sonoro tenha sido inutilizado. O prédio não possuía seguro.

O sepultamento de Conceição Lucas e da pequena Gladys ocorreu no mesmo dia, no final da tarde, com grande acompanhamento popular. As despesas do enterro foram custeadas pela empresa proprietária do teatro. Conceição tinha 51 anos de idade. O episódio permanece como um dos mais dolorosos registros da memória bajeense, simbolizando a fragilidade das antigas construções e a dimensão humana das tragédias que marcaram a história da cidade.

Fonte e foto: Arquivo Público Municipal  / Pesquisa: Diones Noggueira 

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