A Polícia Federal, com apoio do MPF, Polícia Civil, Receita Federal do Brasil, Brigada Militar e SUSEPE, desencadearam nesta quinta-feira (30) a Operação Afluência II, visando combater uma organização criminosa dedicada ao contrabando de produtos eletrônicos de origem estrangeira que adentram ilegalmente no país, juntamente com crimes correlatos como lavagem de dinheiro, evasão de divisas e falsificação documental.
Com o propósito de desmantelar o grupo, foram cumpridos 50 mandados de busca e apreensão, cinco de prisão preventiva e 22 medidas cautelares substitutivas de prisão. Adicionalmente, foram emitidos decretos judiciais de arresto/sequestro de 133 veículos e 30 imóveis, totalizando aproximadamente R$ 20 milhões em bens bloqueados, além da retenção de valores em contas bancárias pertencentes aos investigados e empresas vinculadas.
A Operação Afluência II ocorreu em diversas localidades, abrangendo municípios do Rio Grande do Sul, como Venâncio Aires, Lajeado, Estrela, Cruzeiro do Sul, Aceguá, Bagé, Jaguarão, Pelotas, Morro Redondo, e nas cidades paulistas de São Paulo e Tarumã. Também foram alvo da operação a cidade do Rio de Janeiro/RJ e Belo Horizonte, em Minas Gerais. Destaca-se que em Bagé foram cumpridos dois mandados, enquanto em Aceguá uma medida judicial foi efetivada.
De acordo com a Polícia Federal, o cerne da organização criminosa está concentrado na região do Vale do Taquari, tendo como principal atividade ilícita o contrabando de produtos eletrônicos, importados clandestinamente por meio das fronteiras com o Paraguai. A apuração revela que o grupo contava com a participação ativa de fornecedores e intermediários para adquirir os produtos diretamente de distribuidores ilegais paraguaios. O pagamento ocorria por meio de transações físicas na fronteira ou por intermédio de operações realizadas pelos chamados "doleiros".
Após ingressarem no território nacional, os produtos eletrônicos eram transportados para os depósitos do grupo criminoso e, posteriormente, enviados a grandes atacados em Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo. As cargas eram camufladas em veículos próprios da organização, especialmente caminhões e carretas, ocultas sob outras mercadorias, como alimentos e peças automotivas. Além disso, o grupo utilizava empresas transportadoras, valendo-se de notas fiscais ideologicamente falsas, para enviar os produtos ilicitamente adquiridos.
A estruturação da organização criminosa remonta, pelo menos, a janeiro de 2019, segundo as investigações, movimentando mais de R$ 70 milhões com o contrabando de produtos eletrônicos introduzidos irregularmente no Brasil. O nome da operação, "Afluência II", faz referência ao estado de ostentação financeira dos principais investigados, evidenciando sinais exteriores de riqueza. Ademais, está relacionado ao excesso de movimentação de bens e valores que convergem para um mesmo ponto, refletindo as práticas de utilização de contas bancárias de terceiros e outorga de procurações, convergindo para um alvo central. Dessa forma, a "Afluência II" representa a convergência de capitais ilícitos.
Foto: Divulgação PF
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