O tradicional pão francês, um dos alimentos mais populares do Brasil, é comemorado nacionalmente neste 21 de março. A receita, tipicamente brasileira, é conhecida por diversos nomes, a depender da região do país. Os mais comuns são pão de sal, pão de Jacó, pão d'água... Mas é no Rio Grande do Sul que ela tem a alcunha mais curiosa: cacetinho.
Luís Augusto Fischer, autor do "Dicionário de Porto-Alegrês", explica que o nome tem a ver com o formato do pão baguete, que inspirou o pão francês, sua versão diminuída. Em seu livro, que resgata a história por trás de expressões características da capital gaúcha, ele explica que "havia o 'pão cacete', a bengala, que tem mesmo a forma de um cacete" e sua versão menor ganhou o apelido no diminutivo, "cacetinho". O pão bengala é um tipo de baguete, que tem o formato de bastão, porrete, pedaço de pau ou... cacete.
Fabricio Goulart, chef de cozinha e pesquisador, dá mais detalhes sobre a história do pão francês no Rio Grande do Sul. Ele lembra que famílias ricas do estado costumavam viajar ou mandar filhos para estudar na França. De lá, voltavam com inspirações parisienses - entre elas, a baguete.
"Quando trouxeram a baguete para cá, era muito comprido, o que dificultou a venda. Então se fez uma miniatura da baguete, que é o pão francês. O nome de 'cacetinho' faz alusão ao formato da baguete, que é tipo um bastão, um cacete. A versão menor virou o cacetinho", explica.
O gastrólogo Altino Moura, do Instituto Gastronômico das Américas (IGA), em Brasília, explica que os ingredientes das duas versões são basicamente os mesmos: farinha de trigo, sal, fermento e água. No Brasil, deixou de ser um pão comprido para ter um formato menor e mais redondo.

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