No início da tarde desta terça-feira (05), o prefeito de Bagé, Divaldo Lara, acompanhado do vice-prefeito Mário Mena Kalil, realizou uma transmissão ao vivo para esclarecer alguns números relacionados ao acompanhamento do Coronavírus na cidade. A preocupação principal dos gestores, que responderam à comunidade em tempo real, é manter a transparência e desfazar informações incorretas repassadas de maneira irresponsável nas redes sociais.
A partir de hoje, Bagé está classificada como bandeira preta. Para manter as atividades comerciais, a administração entrou com recurso solicitando a cogestão, o que possibilita que sejam mantidos os protocolos de bandeira vermelha. “Vamos mostrar, como sempre fazemos, a real situação à população bageense”, anunciou Divaldo no começo da transmissão.
O prefeito explicou que não falta tratamento em Bagé para a população. “Os pacientes que decidem ir para a capital, o fazem por opção. Não demandamos nenhum paciente SUS para fora, pois temos estrutura hospitalar no município. Nenhum momento faltou atendimento para a nossa população”, completou.
Mostrando números oficiais do estado do Rio Grande do Sul, Divaldo reiterou que a região de Bagé tem o menor número de contaminados confirmados em todo o estado. “Isso não sou eu que estou dizendo, são indicadores do site da Secretaria Estadual de Saúde, disponíveis para qualquer pessoa consultar. Também temos o segundo menor número de óbitos de todo o estado. Esta é a real situação do município de Bagé”, afirmou, mostrando com o relatório do sistema em mãos.
Divaldo informou que são 16 leitos de UTI em toda a região, que atendem também outros municípios de fora. “Pessoas de outras regiões os utilizam e esta ocupação fez com que o município e região da Campanha estivessem próximo de um esgotamento. Mas ainda assim temos o menor número de contaminados e isolados das últimas cinco semanas. Fomos classificados como bandeira preta por uma mudança de metodologia do Estado e pelo envio de pacientes de fora para cá”, esclareceu.
No momento são seis leitos na UTI de Bagé, cinco deles utilizados e dez em Dom Pedrito, nove utilizados, sendo quatro com pacientes de Pelotas. “São os menores indicadores das últimas cinco semanas. O governo do estado está mandando pessoas de outras cidades, ocupando leitos e forçando Bagé a fechar o bloco cirúrgico para procedimentos eletivos. Enquanto tivermos tratamento para os bageenses, não faremos isso, pois seria condenar a população a morrer de outras doenças, como o câncer, por exemplo”, argumentou.
Funcionamento do comércio
Divaldo ressaltou que o comércio de Bagé, durante toda a criação do mapa de distanciamento controlado do estado, nunca fechou. “Somente no início porque ainda não tínhamos a estrutura necessária. A principal luta da cidade foi preservar vidas. Bagé chegou a ser a pior cidade em número de contaminação do estado e hoje é a região que tem o menor índice, fruto do trabalho de homens e mulheres que dedicaram suas vidas a cuidar do nosso povo. O comércio não fechou durante todas estas rodadas e não fechará. Sigam trabalhando, não importa a pressão que o governo e políticos estão fazendo contra o município, querendo que feche a cidade, nós não fecharemos. Continuaremos com a economia em movimento, não importam as ameaças e pressões. E isso não é somente pelos empresários e sim pelos trabalhadores que dos seus empregos tiram seu sustento”, disse.
O gestor lembrou, ainda, que a cogestão é a posição da maioria dos prefeitos da região da Campanha. “Porque eles entendem que não resolve fechar o comércio. O que resolve é atender os procolos e cada um fazer a sua parte, cuidar das suas famílias até que, muito em breve, venha a vacina”, finalizou.
Mário Mena explicou detalhadamente os indicadores de mortalidade por cem mil habitantes, comparando Bagé a outras cidades e mostrando que temos a média de 34.5 mortes para cada 100 mil habitantes, sendo a terceira região com o menor indicador. “Isso porque Bagé fez um bom trabalho. Muitos se perguntam se com estes indicadores positivos qual é o motivo para a bandeira preta então? O motivo é que o Estado mudou a regra e colocou em uma proporcionalidade de razão de leitos de UTI, o que nos levou a este patamar. Mas é importante destacar que nunca utilizamos um leito de outro município, nunca nos faltou estrutura para atendimento Covid. Estamos com os menores indicadores de contaminados e, na verdade, fomos penalizados por uma mudança de regra. Existe um erro conceitual que causou um estresse desnecessário, além de pessoas plantonistas do caos que querem causar preocupação na população”, avaliou.
Mena finalizou dizendo que o trabalho continua com ação forte nas ruas e equipes trabalhando.
O prefeito finalizou destacando que enquanto tiver suporte de atendimento, a cidade de Bagé não fechará. “Não aceito esta pressão nem esta imposição. Ninguém vai fechar Bagé. Vamos continuar trabalhando porque fechar não resolve o problema da saúde das pessoas. O que resolve é a consciência de cada um, responsabilidade individual e coletiva. As ações continuamos praticando, providenciado todas as soluções possíveis a cada momento. Temos vacinadores em todos os postos, já estamos com as câmaras frias e com potencial de armazenamento das vacinas. Tão logo cheguem, faremos vacinação em massa. Reafirmo que não vão quebrar nossa cidade. Podem colocar a cor que quiserem, vamos seguir lutando”, complementou.

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