A presidente da Câmara Municipal de Bagé, vereadora Andrea Gallina (PP), utilizou as redes sociais para se pronunciar diante das críticas relacionadas ao projeto que reajustou os salários dos secretários municipais de R$ 8 mil para R$ 11,4 mil, votado e aprovado pela maioria dos vereadores, que ocorreu na última quinta-feira (14/08).
Em vídeo publicado no último sábado (16), Andrea afirmou que vinha recebendo mensagens e ligações desde a última quinta-feira, quando o assunto ganhou repercussão. A parlamentar disse estar surpresa não pela dúvida da comunidade, mas pela postura de colegas parlamentares e até mesmo de um ex-presidente da Casa, que chegaram a acusá-la de ser “traidora do povo”.
Andrea enfatizou que, na condição de presidente da Câmara, não votou o projeto, pois cabe ao presidente apenas conduzir os trabalhos legislativos, votando somente em caso de empate.
Ela também rebateu informações que circulam em vídeos nas redes sociais, segundo as quais o impacto financeiro da medida ultrapassaria R$ 13 milhões. “Hoje, o salário dos secretários é R$ 8 mil. São 17 secretarias, mas apenas 13 estão ocupadas. Com o reajuste, o valor passou para R$ 11,4 mil. Façam a conta para ver se o impacto é realmente de mais de R$ 13 milhões, porque até a minha filha de 10 anos sabe fazer essa conta”, afirmou.
Na manifestação, a presidente comparou ainda a remuneração dos secretários com a dos vereadores, que atualmente recebem R$ 11,4 mil. Segundo ela, a equiparação é justa, considerando que secretários respondem juridicamente com seu CPF e patrimônio, além de estarem à disposição da população em tempo integral.
Andrea criticou o que chamou de “joguinho político” de alguns parlamentares e defendeu sua posição de manter a independência na condução da Câmara. “Continuo com os mesmos princípios e valores, mas não posso inviabilizar uma cidade de 120 mil habitantes apenas por disputa política”, disse.
Ela também citou que havia uma aposta de que não resistiria três meses no comando do Legislativo. “Estou há sete meses como presidente e não vou mudar minha forma de pensar. Eu me elegi por uma cidade e quero que esta cidade vá bem”, afirmou.
Ao final, a presidente lançou um desafio aos demais vereadores: “E o que os senhores acham, então, da gente baixar os salários? Os nossos salários deveriam sempre ser menores do que os dos secretários. Somos 17 vereadores. Concordam? Eu lanço o desafio”.
Vale a pena salientar que o impacto financeiro do aumento dos salários dos secretários municipais vai gerar um custo próximo aos R$ 600 mil anuais para o município (usando como princípio as 13 secretarias ocupadas na gestão atual, se todas as 17 secretarias forem ocupadas o impacto financeiro ficará próximo dos R$ 800 mil anuais, incluindo 13° salário mais 1/3 de férias). Secretários municipais são cargos em comissão do Executivo, portanto têm direito a Férias anuais de 30 dias, com adicional de 1/3 constitucional (art. 7º, XVII da Constituição, aplicado também a cargos em comissão) ou seja: mesmo sendo cargos de confiança e de livre nomeação e exoneração, eles acumulam esses direitos enquanto estiverem nomeados (Constituição Federal, art. 39, § 3º).
Foto: Redes Sociais
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