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Quarta-feira, 15 de Abril de 2026
Renovação de licença da Usina Candiota 3 gera conflito entre prefeitura e organização ambiental

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Renovação de licença da Usina Candiota 3 gera conflito entre prefeitura e organização ambiental

Prefeito defende usinas de Candiota e anuncia medidas judiciais contra Instituto ambiental

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Em entrevista concedida nesta segunda-feira (13), o prefeito de Candiota, Luiz Carlos Folador, manifestou forte oposição às recentes movimentações do Instituto Arayara. Segundo o chefe do executivo municipal, a organização ambientalista estaria tentando impedir a renovação da licença de operação da Usina Candiota 3 junto à Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam), além de atuar contra a recontratação da unidade, cujo contrato atual se estende até o ano de 2040.

Folador classificou a atuação do instituto como prejudicial ao desenvolvimento da região e afirmou que a prefeitura, em conjunto com diversas entidades, entrará com medidas judiciais para reparar o que chamou de informações inverídicas divulgadas pela organização. O prefeito defendeu que as usinas do município estão entre as mais modernas do país e cumprem rigorosamente os parâmetros ambientais estabelecidos pelo Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) e pelo Ibama.

Por outro lado, o Instituto Internacional Arayara, em parceria com o Centro de Pesquisa sobre Energia e Ar Limpo (CREA), fundamenta suas ações em um estudo inédito, publicado em seu sote, no final do mês de março, que revela impactos severos da atividade na saúde pública. Segundo o instituto, a mineração e a queima de carvão mineral em Candiota estão associadas a 430 mortes prematuras e 180 partos prematuros entre 2017 e 2025, o que equivale a 4% da população local. A pesquisa também aponta o aumento de doenças respiratórias, como asma em crianças, e destaca impactos transfronteiriços que afetam a Argentina, o Uruguai e o Paraguai devido à poluição gerada em todas as etapas da cadeia produtiva.

O levantamento ressalta que Candiota concentra usinas como Candiota III e Pampa Sul, liderando as emissões de gases de efeito estufa no Rio Grande do Sul, estado responsável por 53% da produção nacional de carvão. O estudo projeta que, caso o polo carbonífero opere até 2040, poderão ocorrer 871 mortes adicionais, gerando custos de R$ 6,6 bilhões em saúde — valores que, segundo a organização, seriam evitáveis com uma transição energética.

Contestando esses dados, Folador destacou a importância econômica do complexo para o estado, citando a geração de empregos e o impacto em municípios vizinhos como Hulha Negra, Aceguá, Bagé e Pinheiro Machado. Ele ressaltou que a cidade conta com 12 estações de monitoramento da qualidade do ar e que os processos industriais seguem padrões rigorosos de recuperação ambiental. A mobilização em defesa das usinas conta com o apoio de sindicatos, federações e lideranças políticas da região, que buscam garantir a continuidade das operações frente aos questionamentos do instituto.

Foto: Diones Noggueira

 

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