A chuva de granizo que caiu na madrugada deste sábado (23) na Rainha da Fronteira, foi o maior temporal de granizo da história de Bagé, fundada em 1811, não há evidências históricas que permitam desmentir a declaração. Foi um evento extraordinário de granizo para a histórica local, embora nada inédito em termos de climatologia histórica gaúcha.
Conforme a MetSul Meteorologia, o que levou ao incomum temporal de granizo em Bagé foi também uma incomum situação meteorológica que se experimenta neste momento na América do Sul. Evento atípico, assim, decorrer de um quadro meteorológico maior que é igualmente raro de se observar. Neste momento, no interior da América do Sul, há um enorme bolsão de ar quente de intensidade excepcional e que traz temperaturas extremas. O calor horas antes do granizo destrutivo em Bagé atingiu 42,5ºC no Norte da Argentina, 44,5ºC no Paraguai e 42ºC no Centro-Oeste do Brasil, na tarde de sexta-feira.

A atmosfera em Bagé no momento da tempestade estava mais quente do que o habitual com temperatura em 850 hPa (nível de 1.500 metros). Uma corrente de jato (vento) em baixos níveis da atmosfera trazia vento de Norte com ar quente, o que forneceu energia para a formação de nuvens de tempestade na madrugada deste sábado na fronteira com o Uruguai e áreas próximas.

A imagem de satélite das 4h10 da madrugada deste sábado, instante em que ocorreu o temporal violento de granizo, mostrava nuvens extremamente carregadas entre o Oeste e o Sul gaúcho, produzindo chuva forte, muitos raios e queda de granizo de variado tamanho.
Um destes núcleos de instabilidade, e muito mais intenso por ser isolado e não ter a energia drenada por outros próximos, ganhou muita intensidade com uma célula de tempestade que se intensificou exatamente sobre Bagé. As imagens de radar da hora do temporal identificavam a célula sobre o município com elevados valores de refletidade, condizentes com granizo e de maior diâmetro.
Então, vários fatores entraram em cena concomitamente para a formação do granizo em Bagé. Primeiro, uma massa de ar expcionalmente quente no interior do continte. Segundo, correntes de vento trazendo ar quente para a Campanha e a energia para a formação de nuvens de tempestade numa atmosfera mais úmida e instável. Terceiro, uma frente semi-estacionária sobre o Rio Grande do Sul com contraste de temperatura e maior umidade sobre o Sul e o Leste gaúcho.
O Serviço Nacional de Meteorologia dos Estados Unidos possui quatro categorias para definir o tamanho de granizo: pequeno (menos de 2 centímetros), grande (2 cm a 4,5 cm), muito grande (4,5 cm a 7 cm) e gigante (maior que 7 cm). O granizo de Bagé, assim, pelas muitas fotos das pedras de gelo que caíram na cidade, variou entre muito grande e gigante.
Devido à forma como se formam, o granizo tem uma estrutura em camadas, como uma cebola. Pedras de granizo realmente grandes, como as de hoje em Bagé, se formam em nuvens de tempestade com correntes ascendentes excepcionalmente fortes, como era o caso na nuvem de tempestade que cresceu sobre a cidade.
Fonte: MetSul Meteorologia

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